
Os contidos que me perdoem, mas nasci para ser intensa, disse a jovem aventureira, namorada de um estudante de engenharia. A frase ganhou manchete no jornal da cidade e surpreendeu os amigos. A morena educada e misteriosa se rendeu às evidências. Dona de olhos negros, sorriso perfeito e corpo escultural. Ela e o namorado foram presos pela polícia, que os acusa de serem os mentores do sequestro de um empresário e seu filho, que eram amigos de longa data do rapaz.
Leanny era moça de vida dupla e seu trabalho sempre foi uma incógnita entre os amigos. Quando conheceu o namorado, ele tinha 180 quilos e sofria de obesidade mórbida. A família não acreditava naquele romance e desconfiava que Leanny quisesse tirar vantagem do rapaz de classe média alta. Entretanto, após uma cirurgia bariátrica, o rapaz demonstrou profunda transformação em pouco tempo, e Leanny passou a ser vista pela família como a maior motivação dele.
Todavia ao contrário do namorado, Leanny escondia a origem humilde e cheia de contradições, e aproveitava para curtir a vida em glamourosas viagens internacionais. Nesse tempo, ela costumava desaparecer por alguns dias, desligava o celular e quando voltava ao convívio dos amigos, justificava a sua ausência, alegando uma doença que a fazia se isolar. O casal escolheu manter a privacidade para despistar detalhes de suas aventuras.
Na prisão, e com a vida virada pelo avesso, a polícia quis saber de onde vinha tanto dinheiro para o casal frequentar lugares como Búzios, Disney, Miami e Hollywood. Os investigadores rastrearam e descobriram que eles se hospedaram em hotéis de luxo no Sul da Itália. Diante da inusitada situação, despontavam zonas de incertezas permeadas por uma cadeia de hipóteses e imaginações. A polícia já não tinha mais dúvidas de que existiam outras pessoas associadas nessa viagem.
O sequestro dos amigos apresentou detalhes de premeditação. Primeiro, o casal foi viajou ao encontro dos amigos e saíram para jantar. Na despedida, os jovens retribuíram o convite e combinaram um novo encontro. Pai e filho combinaram a data que estariam na cidade e aceitaram visitar os amigos. Ao chegarem ao local, eles foram enganados e sequestrados na porta da casa de Leanny. Uma equipe da polícia que estava nas proximidades desconfiou do movimento e interceptou o motorista, que não parou e foi abatido a tiros.
Os investigadores querem encontrar o fio da meada na interligação dos fatos, depois de constatar que o motorista morto no confronto era irmão de Leanny. Descobriram que ele também estava no local, quando da visita aos amigos, mas não se deixou ser visto. Por que Leanny estaria envolvida no sequestro? Seria a falta de dinheiro, drogas ou a adrenalina incontrolável? A motivação do crime seria desfrutar do luxo e das chances de ascender profissionalmente?
Ser bandido da vida moderna, em alguns casos, pode até ser uma escolha e não a imposição do meio. Por alguma razão, em algum momento, o namorado da jovem se deixou também seduzir pelo mundo fora da lei. Avistou a oportunidade, burlou a confiança da família e trocou a mansão por uma pistola automática. Praticar crimes se tornou um meio de viver perigosamente em meio às emoções.
Para os pais, classe A, ver o filho no crime é como a dor lancinante da pedra no rim. O estigma é tão desalentador que paralisa completamente a vida. Isto não quer dizer, que a dor de pais economicamente desprivilegiados (a exemplo da mãe de Leanny) seja mais suave. Longe disso! É a condição financeira que gera a repercussão social diante da fúria ou complacência da mídia.
Prestígio, vaidade e dinheiro. Esses são os principais motivos que levaram mulheres, muitas de famílias ricas, para o mundo do crime. O papel feminino e o comportamento em delitos de Leanny somou-se as Suzanes Richtofens, Kellys (musa do crime) e Ana Paula (integrante do crime organizado e assaltante de banco). Tais comportamentos se resumem a um ponto de interrogação, com histórias curtas no Jet set e nenhuma com final feliz.