
Desde os primórdios, o ser humano viola regras de convivência, fere seus semelhantes na comunidade em que vive e recebe a inexorável aplicação de uma pena. Na Idade Média o homem temia a Deus e acreditava que um dia chegaria ao Juízo Final para prestar contas de seus atos na terra. Nem sob a ameaça do fogo do inferno refreava seus instintos malignos.
Houve um tempo em que a justiça era implacável: dente por dente, olho por olho. Os infratores eram mutilados e reconhecidos perante a sociedade como os defraudadores do povo. Os tempos evoluíram, porém o ser humano continua irrefreável. Nesse mundo conturbado, vemos a impunidade triunfar e os usurpadores se multiplicarem como salvadores da pátria.
Os erros da igreja ao longo da história – que hoje está a pedir perdão – fizeram com que as formas de reconhecimento à divindade também mudassem. O homem não teme mais aquele Deus vingativo e estabelece com Ele uma relação de respeito e diálogo. Em nome de Deus, não se impõe mais o medo ao povo, e muitos defendem que o inferno é representado pelas mazelas e sofrimentos na terra.
Distanciado do freio do Senhor, o homem exercitou sua ganância pelo poder. Para ganhar o trono vale tudo, mesmo que à custa de mentiras e falcatruas. A corrupção tomou conta do planeta. De norte a sul, de leste a oeste, os escândalos se propagam e as autoridades não conseguem estancar a hemorragia, que se espalha incontrolável. Bandidos se mostram acima do bem e do mal.
Os assaltantes dos cofres públicos disseminam um rastro de morte por onde passam e livram-se com a maior facilidade da acusação direta. A injustiça provocada por aqueles que se intitulam donos do poder é uma bofetada no rosto do mais humilde trabalhador. O homem simples perdeu o direito à saúde, à educação, à segurança e, principalmente, o direito à informação, diante de tantos “fake news”.
Milhares de pessoas agonizam na ausência de um tratamento de saúde digno, enquanto outras vivem em condições sub-humanas destinadas a morrer pobres, doentes e abandonadas pelo Estado. É inadmissível falar em fome em um país continental cheio de riquezas naturais inexploradas. Entretanto, em meio ao descaso e à insensibilidade, a violência potencializa a impunidade.
A redentora Operação Lava a Jato, sob o Comando do Juiz Sergio Moro, do Ministério Público e da Polícia Federal, levantou a ponta do Iceberg e a história do Brasil se inverteu. Ex- presidentes, governadores, empreiteiros, empresários e políticos foram julgados, condenados e presos por seus crimes. Os brasileiros conheceram os mecanismos da corrupção e varreram do Congresso Nacional a velha política dando exemplo de cidadania. Finalmente o povo conheceu o sistema e tenta dar um basta ao mete a mão no dinheiro público.
É preciso que se restabeleça a ordem natural das coisas para que o bem supere o mal. Que a justiça ocupe o seu lugar e faça valer o respeito, a dignidade e a cidadania dos brasileiros! Que os culpados sejam condenados e paguem por seus erros! Que a prepotência se curve ante o castigo, a fim de que sejam recuperados os valores e seja devolvida a crença e a esperança ao homem comum! Que em 2019 o equilíbrio da justiça triunfe sob a desmoralização e a impunidade!