GUERNICA

O sol reflete-se na fachada do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, na capital da Espanha, em pleno verão da manhã de sexta-feira. No espaço, em frente à majestosa arquitetura, as pombas gorjeiam ariscas entre as pessoas que se cruzam de lá para cá. Victória e as duas amigas desembarcam na bela Madri para um passeio pela história da Arte contemporânea.

Um dos maiores aeroportos da Europa está lotado de passageiros. No saguão, vozes se misturam ao som do alto-falante e passos medidos na aglomeração humana que se encaminha para a saída do aeroporto. Victória se dirige ao guardinha, próximo da porta, de braços cruzados, que observa o tumulto com a naturalidade de quem conhece aquela rotina. Atencioso, responde com sotaque carregado ao pedido de informações.

Minutos depois, as três mulheres estão no táxi e o chofer acelera pelas ruas da cidade para chegar a tempo de assistir a abertura da exposição de arte moderna no Museu Nacional. O austero edifício setecentista, que um dia foi hospital, faz parte do Triângulo de Ouro da Arte de Madri. Victória está eufórica.

No ambiente, os cheiros amadeirados, de flores, de café e de pimenta se espalham pelo ar. Os aromas se misturam, e sob o som da suave música instrumental, ajudam a entender a arte nascida das paixões humanas e dos sonhos de liberdade.

No segundo andar, as visitantes veem os horrores da II Guerra Mundial; no quarto andar encontram o famoso Maio de 68 francês (conflitos entre estudantes e autoridades da Universidade de Paris). No térreo e no primeiro andar observam as marcas das ditaduras latino-americanas, dos movimentos de esquerda e do ativismo artístico da região.

A exposição de arte serve para questionar o espectador. Victória está fascinada diante da estrela de maior grandeza do museu, a obra Guernica, a mais importante de Picasso. Milhares de turistas ali aportam para conhecer o legado de Salvador Dali, Pablo Picasso, Juan Miró e outros monstros sagrados.

Guernica é um mural que expressa a dor das vítimas no bombardeamento da cidade espanhola de mesmo nome, durante a Guerra Civil Espanhola, cujo episódio ocorreu no dia 27 de abril de 1937. A obra é a crítica ao fascismo alemão: o autor quis despertar nas pessoas o repúdio à guerra.

Conta-se que por vontade do artista a obra permaneceu por muito tempo em Paris.  Picasso pediu que o quadro só retornasse à Espanha quando o país novamente fosse uma democracia.

A tela denuncia sentimentos de aflição, dor, insegurança e sofrimento. As cores em tons cinza, preto e branco remetem à morte, ao horror, à guerra e à destruição. A simbologia no conjunto da obra traz a ideia da luta, da violência, mas ao mesmo tempo o recomeço, a esperança de um povo inocente que se viu massacrado pela ambição.

Na definição de Picasso, Guernica é a mentira que permite conhecer a verdade.

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